História

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Já se disse uma vez que a história é escrita pelos vencedores. Na verdade, ela não deve ser escrita, mas descoberta, por todos. Este processo não pode acontecer sem a pluralidade de fontes e de versões. Assim, as linhas abaixo fazem um breve resumo dos quatro anos de história desta micronação e, nos "links" ao lado direito do texto, encontram-se  aprofundamentos e versões dos fatos, oferecidas por diversos autores, bem como outras curiosidades e demonstrações históricas. As divergências entre os fatos apresentados pelos diversos textos são característica natural desta pluralidade, deixando-se ao leitor, munido de documentos históricos, o veredicto final.

 

 

Orange foi fundada por quinze cidadãos de Porto Claro, a primeira micronação lusófona, por divergências políticas e culturais, em 16 Novembro de 1997. Um dos principais motivos da ruptura foi a teoria, do fundador Guilherme de Orange, de que a colonização de Porto Claro teria sido holandesa e não francesa, como até então se pregava. A fundação do Banco Holandês foi o ponto culminante desta disputa pela história fictícia do país. As divergências com o Partido Verde portoclarense também atingiram níveis que impossibilitaram a convivência dentro do país. A saída de Porto Claro, rumo à fundação de Orange, ficou conhecida como "a travessia do rio Oiapoque", numa alusão à representação geográfica de ambas as micronações. Os fundadores afirmavam estar "fugindo da estupidez dominante", cunhando uma expressão até hoje utilizada pelos Orangers.

 

A primeira forma de organização política de Orange foi o "Margraviado das Duas Pirraines", formado pela província portoclarense de Pirraines e a então recém-criada província Oranger de Pirraines Oriental. Mais tarde, Orange desistiu de reclamar a província à oeste do Oiapoque, consolidando suas fronteiras tal como as conhecemos hoje, e adotou a forma de Principado.

 

Os primeiros tempos da micronação foram marcados por uma irreverência bastante peculiar, que, embora tenha estabelecido as bases da cultura nacional, deixou aspectos político-governamentais em segundo plano. Como conseqüência, a inatividade dos cidadãos ameaçou a continuidade da micronação, que, para não perecer, uniu-se ao Sacro Império de Reunião, na condição de protetorado. Aqueles que até então permaneciam inativos ressurgiram e opuseram-se à união então já consolidada. A oposição foi tamanha que o monarca reunião, Cláudio I, aceitou desfazer à união e Orange voltou à sua condição de nação soberana.

 

Nos período que se seguiu, Orange passou por um processo de amadurecimento, no qual alguma seriedade passou ser característica louvável aos governantes. O tecido liberal-democrático, entretanto, ainda não estava bem firmado. Persistia a distinção entre nobres e plebeus e, em uma ocasião, o candidato à secretário-geral, eleito pela maioria da população, não tomou posse sob o argumento de que seu partido não havia sido homologado pela princesa, empossando-se o candidato vencido nas urnas.

 

Embora sem apoio dos fundadores que ainda permaneciam no país, o movimento republicano foi, sem alarde, ganhando força. O Judiciário, embora normatizado, jamais saíra do papel e as disputas entre os próprios cidadãos e entre eles e o governo não encontravam solução pacífica e harmoniosa. Um acordo assinado entre Orange - por seu chanceler - e Porto Claro, foi o estopim da crise. No segundo semestre de 1999, agravavam-se as discussões partidárias e as ofensas passavam a ser diárias, volumosas e gratuitas. A lista nacional tornou-se palco de ataques e discussões pessoais infindáveis. 

 

O secretário-geral renunciou e o cargo foi assumido pelo chefe do Poder Legislativo que, em meio ao caos, submeteu diversos acusados a julgamentos pela população e, apaziguadas as revoltas, realizou um plebiscito para a definição da forma e do sistema de governo de Orange. Embora todos os cidadãos pudessem fazer suas propostas, apenas duas opções foram apresentadas, vencendo, contra apenas um voto dissidente, a adoção da república parlamentarista. O ano de 1999 terminou com Orange adotando a forma republicana de governo, escolhida por quase unanimidade.

 

Determinou-se que uma nova constituição deveria ser escrita, convocando-se uma eleição para participação em tal assembléia, na qual todos os cidadãos eram elegíveis. No primeiro dia do ano 2000, Orange amanheceu sobre o governo de uma Comissão Constituinte, eleita democraticamente, com poderes provisórios de governo e com a missão de reescrever a carta magna e reestruturar o país.

 

A Comissão Constituinte de Orange governou exatamente até o dia 16 de Novembro de 2000. Durante este período, alguns de seus membros abandonaram seu posto e foram substituídos por outros democraticamente eleitos, dentre todos os cidadãos. No último dia de seu governo, data do segundo aniversário da micronação, entregou a nova carta republicana, que vigora até os dias de hoje. Em 24 de Dezembro do mesmo ano, todos os órgãos de soberania (em substituição aos antes chamados poderes) foram instalados e entraram em operação.

 

Dos quatro anos de Orange, pode-se dizer que os dois primeiros foram essenciais à consolidação da nação, de sua cultura e de seu povo, mas sem estabilidade política e garantias fundamentais. Já os dois últimos apenas herdaram a bagagem cultural formada nos primórdios da micronação, mas consolidaram as instituições democráticas, as garantias fundamentais do cidadão, a democracia e trouxeram estabilidade. O processo de amadurecimento, entretanto, é contínuo e permanente, aperfeiçoando-se dia a dia a experiência micronacional.

A travessia do Rio Oiapoque pelos fundadores de Orange

 

 

Uma história de Orange, Guilherme Lenin

 


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